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Na década de 40, o quadro de saúde do Estado da Paraíba era de enormes deficiências. Saindo da Capital, a maioria dos municípios paraibanos carecia de serviços médicos. O número de médicos, enfermeiros, farmacêuticos e dentistas no estado era absolutamente insuficiente para assistir a população.

 

No final daquela década, animados por recursos extras que lhes foram destinados pela Constituição Federal de 1946, os municípios paraibanos passaram a construir e implantar seus "Postos de Higiene", em colaboração com o Departamento Estadual de Saúde. Esbarraram, porém, no obstáculo da exigüidade de recursos humanos qualificados. Neste contexto de elevada demanda e reduzido contingente de profissionais de saúde disponíveis, surgiu a Faculdade de Medicina, Odontologia e Farmácia do Estado da Paraíba, fundada em 25 de março de 1950, pelo espírito empreendedor do Dr. Lauro dos Guimarães Wanderley e Dr. Humberto Nóbrega.

 

A autorização de funcionamento do Curso de Medicina foi assinada pela Presidência da República em 27 de novembro de 1951 e no dia 15 de fevereiro de 1952 foi realizado o primeiro Concurso Vestibular, em que se inscreveram 56 candidatos, dos quais, 37 foram aprovados. A cerimônia de abertura do Curso ocorreu em 15 de março de 1952, no Teatro Santa Rosa, em João Pessoa,cuja aula de Sapiência foi ministrada pelo Professor Arnaldo Tavares de Melo. Nesse processo de implantação, a nova Faculdade contou com a ajuda de renomados professores brasileiros, como o Prof. Samuel B. Pessoa, de São Paulo, que empenhou o peso de seu nome para dobrar resistências oficiais à aprovação da Faculdade de Medicina. Contou também com professores experientes em seu corpo docente, como o Prof. Francisco de Paulo Santos Geraldes Barba, Doutor em Medicina, vindo do Instituto de Histologia e Embriologia da Faculdade de Medicina de Lisboa para reger a cátedra de Histologia e Embriologia Geral (1952).

 

O Curso de Medicina foi reconhecido oficialmente pelo Governo Federal, através do Decreto 38.011, em 05 de outubro de 1955. No dia 27 do mesmo mês, passou a integrar a Universidade da Paraíba, fundada com a agregação dos cursos de Medicina, de Odontologia e de Farmácia.  A 13 de dezembro de 1960 ocorreu a federalização daquela Universidade, por força da Lei 3.053, sendo criada, portanto, a Universidade Federal da Paraíba, composta pela Faculdade de Medicina e outras nove faculdades. Neste processo de fusão das instituições, a Faculdade de Medicina contribuiu com cerca de 40% do acervo de bens que constituíram o patrimônio da nova Universidade.

 

Por ocasião da Reforma Cêntrica, determinada pelo Decreto nº. 73.071, de 23 de fevereiro de 1974, a então Faculdade de Medicina, passou a ser denominada de Curso de Medicina e a integrar o Centro de Ciências da Saúde. Suas disciplinas foram agrupadas em Departamentos e classificadas como Básicas (atendidas pelos Departamentos de Morfologia, Biologia Molecular e de Fisiologia e Patologia) e Profissionalizantes (oferecidas pelos departamentos de Medicina Interna, Cirurgia, Pediatria e Toco-ginecologia e Promoção da Saúde). Tal arranjo visava evitar duplicidade de meios para os mesmos fins, permitindo que as disciplinas básicas fossem oferecidas a alunos de vários cursos da área da saúde. O surgimento do Departamento de Promoção da Saúde já revelava a preocupação crescente para com os aspectos preventivos da Medicina.

 

Atualmente, o Curso de Medicina está estruturado com base em atividades curriculares e extracurriculares destacando-se, entre estas últimas, monitoria remunerada nos departamentos, estágios nos diversos Serviços do Hospital Universitário e em hospitais conveniados da rede pública e privada, bem como programas de iniciação científica. Ressalte-se ainda, nas atividades curriculares, o Internato (Estágio Prático Obrigatório), abrangendo as áreas de Clínica Médica, Cirurgia, Pediatria, Toco-Ginecologia, e o Estágio Rural Integrado (ERI).

 

O currículo do Curso de Medicina, fruto da evolução constante do ensino médico superior, tem sofrido freqüentes reavaliações, tendo ocorrido sua primeira revisão formal em 1960.

 

Em 1975, uma primeira Comissão de Currículo deu impulso à celebração de novos convênios com outros órgãos públicos de saúde, ampliando, destarte, as possibilidades para estágios práticos no internato. Assim foi, com a AMIP, com o Hospital Samaritano e outros, resultando em permanência dos vínculos desses alunos com aquelas instituições e, como subproduto, na abertura de portas no mercado de trabalho para muitos médicos recém-formados.

 

Posteriormente, em 1990, estruturou-se uma nova Comissão de Currículo que, entre outros propósitos, propôs-se a aumentar as cargas horárias de disciplinas, estabelecer pré-requisitos e aprimorar algumas nomenclaturas.

 

Em 1993, uma nova comissão foi constituída pelos Chefes dos Departamentos do CCS envolvidos com o Curso de Medicina.

 

Finalmente, com os estudantes mais amadurecidos para os propósitos sociais e os docentes mais conscientes das necessidades da região geopolítica onde estamos inseridos formou-se, em 1997, uma nova Comissão de Reforma Curricular que, assimilando os anseios da CINAEM e do MEC, participou ativamente na Avaliação Interinstitucional levada a efeito no Brasil, bem como na Avaliação Institucional promovida pela Universidade Federal da Paraíba. Os resultados destas avaliações, bem como a promulgação das “Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Medicina” estabelecidas pelo MEC, estão sendo usadas como referências para a preparação da atual proposta de Projeto Político Pedagógico, que visa colocar nosso Curso Médico no seleto grupo dos Programas concebidos com visão de futuro.
 

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